segunda-feira, 27 de julho de 2015

Ao Cantar dos Salmos



Os salmos debaixo das abóbadas de pedra
Desfilaram seus modos austeros
As vozes de leve inflexões afastaram
Os limites do tempo

Tua catedral é uma nave que arde
No oceano onde paira teu espírito
Eu sou um átomo onde se juntam o limitado e o infinito
Sobre o altar se cumprem teus mistérios
Senhor das Escrituras, Senhor dos Hinos Sagrados.

Eu trago a ti os hinos da terra, seus suspiros
A humilde lamentação
Da angústia e miséria humana, seus votos,
Suas suplicações

E tu que viestes aos pobres
Vem a nós em Tua doçura
Em Teu Amor, em Teu Poder – afasta-Te
Um pouco, Senhor.

Afasta-te se queres que eu viva
Sou eu a Sarça Ardente que queimou
Sem se consumir¿
Eu sou um coração à deriva.

Um coração perdido, que perde seu ritmo
E sua  medida, menos um coração ébrio
Um coração suspenso entre dois  universos.

Ouço a voz de David
Os Serafins me varrem o rosto com suas
Asas de fogo.

Os coros se calaram e o altar está apagado
Em silêncio as portas do céu se fecharam.

Eu vivo. Não. Eu atravesso sonhos.

Desperta-me, Senhor, deste sono.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe sua espiritualidade aqui.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...