domingo, 15 de setembro de 2013

Como sei que é a Coisa Certa a Fazer?




Shoren tornou-se um professor de soto zen.
Quando ele ainda era estudante, seu pai faleceu, deixando-o aos cuidados da sua mãe idosa.
Depois disso, toda vez que ia para a sala de uma ditação, Shoren sempre levava sua mãe junto.
Ela não podia ficar sozinha, assim, o acompanhava em suas jornadas quando visitava monastérios, portanto, ele não podia conviver com os monges.
Então, ele construía uma pequena casa e ali cuidava dele.
Ele copiava sutras e versos budistas e, dessa maneira, recebia algumas moedas para a comida.
Quando Shoren comprava peixe para sua mãe, as pessoas o ridicularizavam, pois um monge não podia comer peixe.
Mas Shoren não ligava.
A mãe, portanto, se condoía por ver os outros rirem do filho dela.
Por fim, ela falou a Shoren:
- Acho que me tornaria uma monja. Posso ser vegetariana também.
Assim ela fez e eles estudaram juntos.
Shoren apreciava música e era um mestre na harpa, que sua mãe também tocava.
Em noites de lua cheia, tocavam juntos.
Em uma noite, uma jovem passava para casa deles e ouvira a música.
Profundamente emocionada, ela convidou Shoren para visitá-la na manhã seguinte para tocar.
Ele aceitou o convite.
Alguns dias depois, ele encantou a jovem na rua e lhe agradeceu a hospitalidade.
Os outros riram dele também.
Ele visitara a casa de uma mulher da rua.
Um dia, Shoren partiu para um templo distante a fim de dar uma palestra.
Alguns meses depois, voltou para casa e encontrou sua mãe morta.
Os amigos dele não sabiam onde localizá-lo e, por isso, o funeral já estava em andamento.
Shoren se aproximou e bateu no caixão com seu cajado.
- Mãe, seu filho voltou, ele disse.
- Estou feliz por tê-lo de volta, filho, ele respondeu pela mãe.
- Sim, eu também estou feliz, Shoren respondeu.
Então declarou às pessoas presentes:
- A cerimônia fúnebre acabou. Podem enterrar o corpo.
Quando já estava velho, Shoren sabia que seu fim se aproximava.
Ele pediu aos discípulos que se reunissem ao seu redor pela manhã dizendo-lhes que estava se preparando para falecer ao meio dia.
Queimando incenso diante do retrato da mãe, ele escreveu um poema.

Por cinquenta e seis anos vivi o melhor que pude.
Abrindo meu caminho neste mundo.
Agora, a chuva parou, as nuvens estão clareando.
O céu azul recebe a lua cheia.

Os discípulos se reuniam ao redor, recitando uma sutra e Shoren faleceu.


7 comentários:

  1. Que lindo,Rosélia e que bom quando as nuvens clareiam! beijos,linda semana,chica

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  2. Linda história. Um forte abraço amiga Rosélia..<3

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  3. Rosélia, que lindo a forma como ele cuidava de sua mãe e a retribuição dela, passando a participar das atividades e crenças do filho.
    Acredito que temos que nos preparar para a morte. Muita paz!

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  4. Boa noite amiga Rosélia!!!
    Que texto lindo e reflexivo...
    Amei...
    Aproveito para lhe desejar uma semana feliz e abençoada!!!
    Bjokas...da Bia!!!

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  5. Olá!Boa noite
    Rosélia
    Belo e emocionante texto.
    ...um momento único e lindo em que a mãe não estava envolvida com nada, a não ser seu filho.Assim ela fez e estudaram juntos.
    Muita sabedoria , pois viveu o que pode, e ao se preparar para a "morte".
    Gostei!
    Agradeço
    Bela semana
    Beijos

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