segunda-feira, 1 de outubro de 2012

História de uma Missionária (I)



Quando Rafaela entrou para o Cenáculo (11 anos antes de mim, se não me engano), eu não pensava em vida religiosa, isto é, em ser freira.
Só bastante tempo depois é que comecei a ouvir o que nós denominamos o “chamado”. Pois é Deus quem chama. Não chama “tocando uma campainha no meu ouvido”, como me disse um sacerdote, a quem consultei quando estava ainda em dúvida se entrava ou não entrava. É algo que não se define bem, não se pode traduzir em palavras, mas que vai acontecendo no coração e na mente, e vai amadurecendo, até que a gente começa a ter certeza de que é isto mesmo que a gente quer, ou que Deus quer da gente.
“Como refletiu na família” é que é um ponto delicado. Papai ficou felicíssimo, considerava uma grande honra para ele, ter dado uma filha para Deus, e agora uma segunda. Era demais! E isto, apesar de saber que iria duplicar o sofrimento dele, pois a Mamãe era inteiramente contra, e, desde que a Rafaela entrou, ficou “de mal” com ele e criou dentro de casa um ambiente muito triste, quase fúnebre. E justamente por causa dessa situação, Mirela e Regiane também ficaram meio chocadas. A coisa ia piorar também para elas…  Uma vez, diante de um bolo, ou uma sobremesa gostosa ou um suco, não me lembro mais o que era, Mirela me disse assim: “Você pensa que vai ter essas coisas lá?” Regiane, que já tinha os 6 filhos e não morava naquela casa, não se manifestou. Quanto aos irmãos, acho que só souberam depois que entrei. É claro que com tudo isto eu sofria também, mas a minha decisão estava tomada, e eu pedia a Deus que tomasse conta de tudo e de todos.
É verdade, que, para a Mamãe mudar de atitude, levou muito tempo. Penso que ela só mudou quando Papai teve uma trombose cardíaca e ela se assustou. Pois, na verdade, ela o amava, embora parecesse que só ele é que amava. Interessante, o amor da Mamãe só aparecia, isto é, só se manifestava exteriormente fazendo pratos que cada um gostava, ou se preocupando com a  saúde de cada um, e coisas desse gênero,  tanto dos filhos como do Papai.
Papai me visitava sem dizer aonde ia. E o mesmo faziam os irmãos e as irmãs.    Logo que entrei escrevi para ela, mas Papai disse que ela não abriu. E foi depois da trombose dele que ela falou comigo no telefone pela 1ª vez; fiquei muito comovida: Mariete ligou perguntando se eu queria falar com a Mamãe e fiquei muito surpresa. Conversamos, ela meio chorosa e eu me fazendo de forte. Mas ela nunca foi a Petrópolis. Eu só a vi e a abracei quando fui ao Rio, por ocasião da morte do Nilson e da do Papai. Bem, penso que já satisfiz a curiosidade de vocês. Basta?
Quanto à nossa vida, é muito simples: oração e trabalho.

No trabalho, está incluído o estudo, fora os serviços domésticos, os trabalhos para a manutenção, isto é, coisas que se possa vender, que rendam de algum modo, por exemplo, traduções, tecelagem (ganhamos um tear), confecção de terços, pintura de ícones, bordados, bricelets, pães, bombons… … Convém dizer que se fôssemos viver da venda dos nossos produtos morreríamos de fome.  No entanto, não só não morremos de fome,
mas temos o necessário e o supérfluo (gulodices, refrigerantes…), graças à generosidade dos parentes e amigos e mesmo benfeitores desconhecidos.
E a oração se repete 7 vezes ao dia, nas Horas Litúrgicas, que fazemos em comunidade (na igreja),  além da oração individual, isto é, solitária e silenciosa (a qual se é livre de fazer na igreja, na cela, no  jardim, no bosque, no pomar…).
Só resta dizer que somos felizes, muito felizes hoje, como no dia em que entramos.! O que não significa que não se tenha tribulações, como todo mundo tem, mas   nesses momentos somos sustentadas, amparadas, protegidas, abraçadas por Aquele que morreu na Cruz e Ressuscitou, e que é o nosso Esposo, JESUS!



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