domingo, 23 de agosto de 2009

Tigela de Madeira



Um senhor de idade foi morar com seu filho, nora e netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, sua visão embaçada e seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa; mas as mãos trêmulas e a visão falha do avô o atrapalhavam na hora de comer.
Ervilhas rolavam de sua colher e iam no chão. Quando pegava o copo, o leite era todo derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritavam-se com a bagunça.
"PRECISAMOS TOMAR UMA PROVIDÊNCIA COM O PAPAI", DISSE O FILHO". JÁ TIVEMOS SUFICIENTE LEITE DERRAMADO, BARULHO DE GENTE COMENDO COM A BOCA ABERTA E COMIDA PELO CHÃO", DISSE, CONCORDANDO COM ELE, A ESPOSA.
Então eles decidiram colocar uma pequena mesa no cantinho da cozinha. Ali o avô comia sozinho enquanto o restante da família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, sua comida agora era servida numa tigela de madeira.
Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes ele tinha lágrimas em seus olhos. Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram reprimendas ásperas, quando ele deixava talher ou comida cair no chão. O menino de quatro anos de idade assistia a tudo em silêncio.
Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:
-O QUE ESTÁ FAZENDO, FILHO?"
O menino respondeu, docemente:
-AH, PAPAI... ESTOU FAZENDO UMA TIGELA PARA VOCÊ E A MAMÃE COMEREM QUANDO EU CRESCER"!
O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais, que ele fiaram mudos. Então, lágrimas começaram a escorrer de seus olhos. Embora ninguém tivesse falado nada., ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e, gentilmente, o conduziu à mesa da família. Dali para frente e até o final de seus dias, ele comeu todas as refeições com a família. E, por alguma razão, o marido e a esposa não se importaram quando o garfo caía, o leite era derramado ou a toalha da mesa sujava.

Meu pai terminou seus dias aqui na terra comendo na mesma mesa que nós, mesmo que não tivesse mais o mesmo apetite.
Terminou como viveu sempre... dizendo para todos os que perguntavam por sua vida: TUDO BEM, GRAÇAS A DEUS!
Dizia sempre que agradecia a Deus porque eu estava ao seu lado... que eu tinha paciência com ele, me fazendo derramar lágrimas ou ocultá-las...
Ele não fazia da velhice uma desculpa para reclamar de nada, para exigir de ninguém nada... Só "cobrava" afeto de mim porque não era preciso fazê-lo... pedia um cheirinho... como bom nordestino que era...
Aceitou sua perda de memória gradativa... as de visão e audição... perdas estas, que a idade teima em impor-nos...
Não foi um velho ranzinza, rancoroso, reivindicador, crítico às menores falhas alheias...
DEUS LHE DEU A DOÇURA DOS PÊSSEGOS DOURADOS AO SOL... A SUAVIDADE DA BRISA DAS MANHÃS DE ABRIL... A DELICADEZA DAS PÉTALAS DAS ROSAS... A COMPREENSÃO DE UM CORAÇÃO QUE AMA SEM EXIGÊNCIAS...
Que na hora da minha partida, Senhor, eu e vá para junto de TI, pé ante pé, bem de mansinho, sem que aumentem as minhas dores ou a dor e o trabalho dos que, perto de mim, estiverem, assim como foi com meu pai.
Confio em Ti, Senhor, fazes comigo o que fizeste com meu papai amado. Amém!

DA PLANTA DOS MEUS PÉS AO ALTO DA MINHA CABEÇA... NENHUM MEMBRO MEU ESTÁ ISENTO DE TORMENTO...
Ó DEUS, RECOLHE AS MINHAS LÁGRIMAS COM TEU ODRE.

Termino estas postagens de luto, mencionando o que meu netinho caçula falou com tanto amor: O BISO SE FOI PRO CÉU!



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