domingo, 23 de agosto de 2009

Retire-se com seu Corpo ( II )



Publicado em 27 de novembro de 2008 no http://espiritual-idade.spaces.live.com/

"A BOCA FALA DO QUE O CORAÇÃO ESTÁ CHEIO".

Ainda sobre a espiritualidade do nosso Templo de Carne (também sagrado).
Hoje optei por mencionar a ligação da nossa boca e as questões concernentes aos efeitos produzidos pelo uso deste órgão de grande importância pelas múltiplas funções ligadas ao aparelho respiratório, digestivo e fonador.
Com ela nos comunicamos, expressamos ideias... pensamentos...
Podemos, pelo uso da palavra, erguer, animar, confortar ou destruir as pessoas.
O mais conveniente é que pudéssemos pensar, refletir antes de falarmos e que nossas palavras não fossem de condenação alheia e nem de autocondenação.
Muitas vezes, ofendemos ou somos ofendidos por palavras. Praguejamos, murmuramos, reclamamos, agredimos, fofocamos...
Como a vida da gente muda quando temos ao menos uma pessoa que nos fale com amor, mesmo que esteja usando sua capacidade de nos exortar.
Com a palavra que proferimos, expressamos também nossas emoções...
Podemos amaldiçoar com esta mesma boca que bendiz. Que incrível! Que contraste!
Boca pequena pode revelar uma pessoa silenciosa e de poucas palavras.
Na vida espiritual criamos hábitos bons (virtudes) e em nossos atos e palavras podemos ou não... passar brandura, afabilidade, bondade, temperança.
Paulo faz algumas alusões a respeito deste pequeno órgão (que comanda um grande corpo) que acho oportuno mencionar aqui.
Estava rezando justamente nestes últimos dias as suas Cartas e recebi uma vez mais ricos ensinamentos como se tudo fosse novo:
"COMO SEREI ÚTIL SE MINHA PALAVRA NÃO LEVAR PARA VOCÊS NEM REVELAÇÃO, NEM CIÊNCIA, NEM PROFECIA, NEM ENSINAMENTO?
(1Cor 14,6)
Nossa boca deveria louvar mais, agradecer mais, reclamar menos...
Uma certa vez, num Retiro dos Oblatos em Petrópolis (1995), o palestrante (Pe. Luiz Fernando) nos colocou sobre a atitude de Ação de Graças que deveria permear nossas ações, nunca me esqueci e fez uma revolução em meus atos desde então.
Ele nos fez ter um momento de oração procurando perceber situações de bênçãos recebidas...
Algumas "falas" (que ele recebe nos Acompanhamentos) são de muita lamúria... quase sempre.
Fiquei deslumbrada ao descobrir que as situações de Graça são muito maiores em nossas vidas do que as de derrotas. Mas isto só percebemos na maioria das vezes quando paramos, refletimos e oramos sobre o encontrado.
Sempre que estou desanimada começo a pensar assim e naquela época fiz uma relação propriamente dita (como um exercício espiritual) de fatos que foram vitória para mim e que, por questão de temperamento, nunca ficam em evidência no meu dia-a-dia, parecem que "somem" da minha mente. Tenho percebido na maioria das pessoas com que converso que o mesmo se sucede com elas.
Ontem fizemos memória do dia de Ação de graças que poucos damos importância em nossas vidas.
No ES, onde morei 10 anos, os Colégios costumavam festejar com uma solenidade especial, (eram ótimas as Celebrações do dia e cheia de significado)... Isso se faz lá a cada ano.
Nossa boca deveria sempre anunciar as boas notícias, sinto o quanto é importante algumas falas particulares com uma pessoa amiga que nem sempre são boas novas... mas para os semelhantes de um modo em geral, será que animados os abatidos, encorajamos os temerosos?
Como eu tenho recebido nestes últimos 17 anos, palavras de incentivo! Mas confesso que não são em número maior do que às criticas destrutivas... Que lástima!
É a boca um grande desafio para a espiritualidade.
A nossa boca revela também como vai o nosso interior.
Há cerca de um mês, senti algo estranho que parecia ser proveniente de algum dente, para minha surpresa era uma enorme afta...e paralelamente algo não ia bem comigo... Não só tomei com a dentista os cuidados necessários como também me empenhei mais na linha espiritual... para ganhar força para enfrentar as dificuldades que se tornavam imperiosas em mim e ao meu redor.
Sabemos que os problemas gástricos contém um fundo emocional.
Agressões sofridas pela fala podem ocasionar problemas gástricos.
Muitos não veem assim, mas, particularmente, percebo que comigo é assim. É ficar em constante ansiedade e lá vem a gastrite reclamando atenção...
Desejo pedir a Deus nesta hora a Graça de não falar ao vento... e que, quando fale, seja mais frutuoso do que o silêncio que quebre!
Como tenho ganho quando me calo em algumas situações adversas, calar nem sempre significa covardia e sim ganhar força para ser mais expressiva na minha fala.

Sugestão de oração pela nossa boca:

Senhor, ouvi a voz de minha alma e ajudai-me a não vos ofender com minha boca.
Purificai meus lábios de toda maldade; e dai-me a graça de dominar minha língua.
Que eu aprenda mais ouvir do que falar e quando falar que seja com sabedoria, afabilidade e doçura.
Tocai meus lábios, Senhor, para que, ungida, eu anuncie a todos vossas  maravilhas.
Então, como o salmista, cantarei eternamente vossa bondade e minha boca publicará vossa fidelidade de geração em geração.

2 comentários:

  1. roselia bezerra(Disponível)escreveu:
    "GUARDA A TUA LÍNGUA DE DIZERES O MAL E QUE TEUS LÁBIOS NÃO PROFIRAM A FALSIDADE." (REGRA DE S. bENTO)

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  2. roselia bezerra escreveu:
    Coloco em comum duas fortes espiritualidades que Deus me deu a FELICIDADE de viver nestes últimos 17 anos.
    Conheci um MOSTEIRO BENEDITINO em 1991 (agosto) e de lá para cá, tenho experimentado vivamente o SABOR DO SILÊNCIO.
    Como se não bastasse tamanha ALEGRIA, pude em 1996 (início do ano), ter meu primeiro contato com os JESUÍTAS e fiquei tão contemplada com o modo inaciano de rezar, que minha filha chegou a brincar comigo sobre este "S.BENTO DE LOYOLA"...que me fazia vibrar com o que estava aprendendo.
    Lendo a vida de Inácio de Loyola, alegrei-me ao saber de seu "enamoramento" com o SILÊNCIO e que teve uma experiência marcante justamente num MOSTEIRO BENEDITINO...
    Respirei muito aliviada na época pensando que DEUS é pela UNIDADE...
    "TUDO CONCORRE PRO BEM DAQUELES QUE POR DEUS SÃO AMADOS".
    Tanto o silêncio encontrado (porque almejado) num Retiro Beneditino como num Retiro Inaciano, calam o coração e a voz.
    Disto posso dar testemunho porque tenho vivido em comum união com diversas espiritualidades.
    Um grupo de Exercícios Espirituais de CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM(ES) do qual pertenci quando lá bem próximo residi, coloca no início dos dias de Retiro uma placa que pode resumir um pouco o tema refletido hoje nesta postagem:
    QUANDO A BOCA CALA, DEUS FALA".

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