domingo, 23 de agosto de 2009

Retire-se com seu Corpo (I)


Publicado em 26 de novembro de 2008 no http://espiritual-idade.spaces.live.com/

Ontem, na Celebração Eucarística, o sacerdote falou-nos sobre o Templo de Carne com tanta propriedade que me sinto interpelada a partilhar uma reflexão (com sugestão de oração) sobre este nosso Templo de Carne, tendo em vista que somos, com este frágil corpo, templo do Espírito SantoComo o tema exige toda atenção e delicadeza, vou fazê-lo aos poucos, como em conta gotas mesmo para melhor a gente poder sentir e saborear. Espero atingir o objetivo, com a ajuda da Graça que nunca me falta.
Na vida, a gente corre o risco de menosprezar o nosso próprio corpo e até de flagelá-lo pelo que nos foi incutido pelos antepassados no tocante a uma ascese extremamente rigorosa e até mesmo inacessível...
Por questão de discernimento, ao longo dos anos, foi-se dando mais valor à Espiritualidade e dentro desta, está também implícito o afeto por este Templo de Carne sem que a gente se torne materialista em hipótese alguma.
Passando pelo nível psíquico, percorrendo o físico, integramos todo o nosso ser e chegamos a um nível espiritual adequado à uma vida bem equilibrada.
Durante estes últimos anos, precisamente de 2000 para cá, percebo que, em comparação à uma balança, se um dos níveis estiver em dissonância... não posso dizer que o espiritual esteja ótimo... então trato sempre de perguntar-me, ouvir com atenção meu corpo (nos seus diversos níveis) e procurar corresponder com afinco no processo de estabilizar todo meu ser.
Sempre a gente conta não só com o próprio esforço mas tem a imprescindível ajuda dos amigos, costumo dizer anjos, que vão firmando-se em nossa caminhada tão imperiosamente que até nos assusta esta forma que Deus usa para gente chegar num denominador comum. É verdadeiramente uma labuta mas ao mesmo tempo encantadores o processo e o seu resultado.
Bem, vamos à reflexão que procuro fazer, pautada num pequeno livro de Rosa Maria Ferraz de Arruda e Aguirre, intitulado: RETIRE-SE COM SEU CORPO.

"Pensar que vamos entrar no céu e não entrar em nós mesmos é desatino."
(Santa Teresa de Ávila)

Vou distribuir esta reflexão em 8 blocos consecutivos, portanto 8 dias de postagens.
Iniciarei pelos PÉS.

Ser livre das sandálias!

Calçados significam poder, posição... orgulho, vaidade, presunção...
Ter pés "nus" é revelar pobreza, insignificância, pequenez...
Vejo estas abordagens como um grande incentivo, como destas coisas que a gente já consegue alcançar sem dificuldade (em contrapartida com outras que ainda faltam muito para gente atingir...).
Particularmente, sempre que posso ando descalça... até mesmo nos retiros sinto-me tão à vontade... Andar na grama molhada do orvalho matutino então...!
A liberdade dos meus pés tira-me o aprisionamento, a opressão...
Vejo nisto muita lógica, pois sapatos apertados machucam e até deformam nossos pés...
Quando li sobre a relação entre condutas erradas que aprisionam nosso espírito e o ser conivente com isto, sinto como dói vestir o calçado errado!
Se em nossa casa, em nosso local de trabalho (quando se pode, é claro, e sei que você me entende) ou num momento de lazer estou livre das "amarras', fico livre internamente e, portanto, equilibrada.
Os nossos pés são o nosso ir e vir...
Em nível espiritual eles levam-nos ao Céu...
"COMO SÃO BELOS OS MENSAGEIROS QUE ANUNCIAM A PAZ!"
Há tempos que procuro refletir sobre quais mensagens passo: de esperança, de amor, de alegria, de conforto, de paz?
Ou de abatimento, discórdia, desamor, maledicência, frivolidade...?
Tento examinar com atenção quais caminhos percorro: de materialismo, de sensualidade de poder, de incredulidade?
Há uns dois meses fui à dermatologista pois apresentava algumas rachaduras nos meus pés... (de tempos em tempos isto acontece-me...)
E constatei, não só neste pequeno livro como em outros relativos à esta área, que não só as rachaduras, como os joanetes e doenças de pele, dores nos pés são "pesos" que nos  imputamos, grilhões que prendem-nos. E, sendo bem sincera, era exatamente isto que mais atingia-me neste último tempo em que apareceu este inconveniente extremamente dolorido...
Como toda ação tem uma repercussão, preciso estar também atenta em como lavo os pés dos irmãos?  Sinto que tenho que perdoar ainda que me custe e seja tão difícil... pois uma postura de fé é infinitamente primordial à da emoção.
O remorso também não pode deixar meus pés "sentidos"... preciso perdoar-me sempre, ainda que o tenha que aprender.
Enfim, posso massagear meus pés com muito carinho e rezar esta oração colocando uma disposição interna de aprimoramento no trato com meu Templo de Carne sem nenhum detrimento com o Templo do Espírito Santo que todos nós somos ou devemos ser.

Obrigada, Senhor, pelo meu corpo, Templo do Espírito Santo, que, tantas vezes, tenho profanado com meus erros no alvo.

Agradeço por meus pés, que, apesar de meu descuido e da minha falta de cuidado para o que me dizem, em sua linguagem particular, me põem de pé plantado na terra que para mim criastes.

Dai-me a graça, a cada dia, descobrir meu interior por meio deles, mas fazei-me também usá-los para levar a paz a paz, o amor, a esperanca, a alegria, o conforto, a verdade e a justiça a meus irmãos.

Senhor, dai-me firmeza em meus passos e, não permitais que me desvie de vosso caminho.

Ensinai-me, ajudai-me a perdoar as pessoas que me magoaram para isso colocai em meu coração uma medida maior de vosso amor.


Amém!

Um comentário:

  1. roselia bezerra(Disponível)escreveu:
    Neste noite estou ainda pensando no meus pés e...reflito com uma certa inquietude de coração, que nem sempre os nossos pés, mesmo andando por caminhos do bem, conseguem trazer de volta a paz PRA PERTO DE NÓS MESMOS E MENOS AINDA PRA DENTRO DE NÓS...Mas me conforta sobretudo saber que vale sacudir a poeira deles e seguir adiante, pois serão outros "PÉS" que trarão uma boa-nova para o nosso coração. Continua valendo o caminhar em prol do crescimento do irmão seja qual for o retorno... Caminhar é preciso sempre ainda que seja necessário de vez em quando descansar para refazer nossa atitude interna de solidariedade.
    Fiquei bastante comovida com o jeito do "carioca" ATENTO às águas torrenciais que atingem especialmente Santa Catarina nestes últimos dias desfazendo lares e esperanças...e tomando atitude de armazenar e enviar o necessário para as necessidades alheias do pessoal de lá.Tem sempre gente que caminha...graças a Deus por isto!
    Santo Inácio de Loyola nos ensina que estar CONSOLADO é ter os PÉS NO SOLO...
    Peço a Deus nesta noite que nos conceda a graça de colocar-mo-nos a CAMINHO estando os nossos PÉS como estiverem, confiando muito mais no constante e imprescindível auxílio Divino.

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